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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Vencedoras do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, etapa Paraná, são de Peabiru e Ponta Grossa

Sebrae/PR divulgou resultado nesta quinta-feira, dia 5; As histórias de Maria José do Nascimento e de Maria Donizete Teixeira Alves vão representar o Estado na etapa regional do Prêmio, que vai selecionar, nas cinco regiões do País, as melhores experiências em empreendedorismo feminino

O Sebrae/PR divulgou nesta quinta-feira, dia 5, as duas vencedoras da etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios - 2008/2009. Maria José do Nascimento, da KL do Brasil Componentes Elétricos Ltda., em Peabiru, na região noroeste, venceu na categoria Empresa Formal. Maria Donizete Teixeira Alves, presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de Ponta Grossa e Região, em Ponta Grossa, na região centro-sul, venceu na categoria Grupo de Produção Formal. As histórias de Maria José e Maria Donizete vão representar o Paraná na etapa regional do Prêmio, que vai selecionar, nas cinco regiões do País, as 10 melhores experiências em empreendedorismo feminino para concorrer à grande final nacional, que acontece no dia 25 de março.
O Prêmio Sebrae Mulher de Negócios é uma parceria do Sebrae Nacional, Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil (BPW), Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), do Governo Federal, e Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), com o objetivo estimular e valorizar o empreendedorismo feminino em todo o Brasil. No Paraná, o Sebrae/PR trabalha em parceria com a BPW estadual. Nesta quinta edição, houve um recorde de inscrições no Estado. Cerca de 400 empreendedoras paranaenses inscreveram suas histórias, nas duas categorias. Em 2005, foram 40 inscrições. Em 2006, 36. E em 2007, 275.
O Estado já teve vencedoras em todas as edições do Prêmio: Joice Roncaglio, de Foz do Iguaçu, em 2004; Adriane Muller, de Curitiba, em 2005; Sheila Chamecki Rigler, de Curitiba, em 2006; e Cleide Matos, de Cidade Gaúcha, em 2007. “As mulheres têm se destacado. No Paraná, transformam suas realidades, com diversas iniciativas empreendedoras. O Prêmio Sebrae Mulher de Negócios é um reconhecimento a esse trabalho, porque valoriza iniciativas que podem vir a se tornar exemplos para outras empreendedoras", destaca o consultor do Sebrae/PR, Emerson Cechin.
As histórias escolhidas foram analisadas e debatidas por uma comissão julgadora, que se baseou em uma metodologia sugerida pela Fundação Nacional de Qualidade (FNQ). Cechin observa ainda que, entre as mulheres, a busca por informações é cada vez mais crescente. “Buscar informações antes de abrir um pequeno negócio, por exemplo, é um comportamento empreendedor importante, fundamental. Quem tem informação, tem melhores condições de decidir. A tomada de decisão é melhor ou igual à qualidade de informação disponível ao empreendedor.”

Resistência

Aos 42 anos e formada em Letras, Maria José do Nascimento, da KL do Brasil Componentes Elétricos Ltda., vencedora estadual do Prêmio Mulher de Negócios, na categoria Empresa Formal, é uma empresária bem sucedida em Peabiru, pequeno município no interior do Estado. Mas nem sempre foi assim. Começou a trabalhar aos 11 anos, quando foi morar em São Paulo. Deu duro até que conseguiu o primeiro emprego com carteira assinada, no “chão de fábrica” de uma empresa do ramo de resistências elétricas. Antes disso, foi babá e fez faxina, enquanto concluía o colegial. Nas horas de folga, comercializava o crochê e o tricô que produzia. Maria José administrou ainda uma pequena usinagem, do ex-marido, como funcionária.
O negócio próprio nasceu há 14 anos. A KL do Brasil emprega hoje cerca de 80 funcionários e fornece seus produtos para o mercado nacional e internacional. Maria José, que tem um sócio, levou para a fábrica seu espírito empreendedor e sempre procura inovar, dar oportunidade para as pessoas que, assim como ela, buscam realização e independência. Dos 80 funcionários, aproximadamente 15 mulheres estão envolvidas diretamente na linha de produção, o que ainda é incomum nesse ramo. “Enfrentei muita resistência ao contratá-las, mas hoje essas resistências se diluíram. Em toda a minha trajetória profissional e de vida, nunca me preocupei com o sexo, mas com a competência das pessoas. Isso sim faz a diferença”, ensina.
Mãe de quatro filhos e avó coruja, Maria José diz que, para o empreendedorismo feminino prosperar, as mulheres precisam se aperfeiçoar cada vez mais, precisam buscar informação e acreditarem que é possível. “São nas dificuldades que as pessoas aprendem a se superar. As mulheres precisam acreditar nelas mesmas e dar um passo de cada vez. Assim, as coisas acontecem e os negócios prosperam”, afirma a empresária, uma das responsáveis pela implantação do Conselho da Mulher Empresária de Peabiru.

Engajamento

Maria Donizete Teixeira Alves, vencedora estadual do Prêmio, na categoria Grupo de Produção Formal, tem 50 anos. É fundadora do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Paraná, que existe desde 1981. Também teve papel preponderante na fundação das unidades da entidade em Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu, todas em 1988, e em Ponta Grossa e Francisco Beltrão, em 1997. “Em 1988, fundamos a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Asseio e Conservação do Paraná”, lembra.
Formada em Ciências Contábeis, Pedagogia e Direito, Maria Donizete começou a defender os trabalhadores do setor aos 20 anos. Trabalhava no recrutamento em uma empresa de grande porte e percebeu que os trabalhadores que cuidavam da limpeza não tinham qualquer tipo de entidade representativa. “Tudo o que dava errado nas empresas era culpa da tia do cafezinho. O setor tinha muitos trabalhadores, a maioria mulheres.” Em 1978, decidiu largar o emprego e se dedicar à causa. “Eu e uma amiga fomos atrás e decidimos montar uma associação para representar a categoria que, em 1981, foi reconhecida como entidade sindical. Foi muito difícil. Por sermos mulheres, encontramos dificuldades todos os dias, todas as horas. Para conseguir as coisas, tive de mostrar que tinha capacidade. O machismo ainda é muito forte.”
A história de Maria Donizete venceu a etapa estadual do Prêmio por conta dos resultados e de uma filosofia em favor da inclusão social. Hoje, o Sindicato que começou pequeninho tem vida própria. Atende 1.500 trabalhadores associados em Ponta Grossa e Região; oferece serviço médico gratuito para todos, financiado pelas empresas e pelo próprio Sindicato; e realiza eventos de confraternização e fóruns de debate para a categoria. O Sindicato mantém ainda uma escola de informática para associados, filhos de associados e comunidade e distribui gratuitamente material escolar para associados e familiares que estejam estudando.
Engajada, Maria José é atuante. Participou na semana passada, em Belém do Pará, do Fórum Social Mundial, evento internacional organizado por movimentos sociais com objetivo de celebrar a diversidade, discutir temas relevantes e buscar alternativas que julgam adequadas para questões sociais, em contraposição ao Fórum Econômico Mundial de Davos, com sede na Suíça. “Para uma idéia dar certo, basta acreditar”, aconselha Maria Donizete, para as mulheres que buscam a realização pessoal e profissional no empreendedorismo.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias no Paraná

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